Criei este blog com o incentivo dos meus amigos...amigos corujas que sempre elogiaram meus textos e me deram coragem para que eu os tirasse das gavetas ou das pastas do computador....







quarta-feira, 23 de março de 2011

Envelhescência


Eu tenho filha adolescente.
E como toda mãe de adolescente tenho visto minha paciência sendo testada diariamente.
Abrimos os olhos e aquele bebezinho que antes sorria e estendia os bracinhos, agora vira as costas e bate a porta do quarto, fechando-se num mundo só seu.
Mas até aí, tudo estava previsto. Todo mundo já passou por isso , inclusive nossos pais (Lembra disso?) e sobreviveu. E, se não há manual que ensine a lidar com filhos adolescentes, o que não faltam são teorias, dicas, livros e artigos que tratam do assunto exaustivamente.
Agora, o que realmente me preocupa é a inexistência de alguma coisa que os faça entender a fase pela qual nós estamos passando.
Porque, se eles estão num momento difícil, perdidos entre a infância e a idade adulta o que dizer de nós que estamos entrando na “envelhescência”?
Alguém tem que explicar a eles que também dói, em nós, as mudanças pelas quais nosso corpo passa.Que não sentimos incômodo por estarem nascendo os seios, em contrapartida, nos incomoda que eles não estejam mais onde deveriam estar.
Que a barba que neles aparece, aparece com a mesma rapidez que nossa calvice.
Que a surpresa que lhes causa o nascimento de pelos, não é maior que a nossa com nossos fios brancos.
Que enquanto, neles, as curvas se acentuam, os músculos enrijecem e os hormônios trabalham a favor, nós vamos perdendo a forma e nossos hormônios enchem-se de preguiça.Por favor, alguém tem que lhes explicar que não mais nos angustiamos por não podermos ir a uma festa, mas nos desalenta perder uma boa noite de sono ou deixar de ler um bom livro.Eles precisam compreender que esbanjamos experiência (e este é o nosso trunfo na hora da barganha) mas que nos falta pique.
Que já não temos a mesma pressa, não nos surpreendemos com qualquer coisa, que a tecnologia por vezes nos intimida e que aquilo que eles ouvem a toda altura, nós, um dia, também já chamamos de música.
Eles não têm a mínima idéia e muito menos culpa, mas a cada novidade que é lançada, cada moda que eles adotam, cada vez que falam de seus ídolos nos lançam no vazio da “envelhescência”. Nos deixam perdidos entre o que éramos e o que estamos nos tornando e nos fazem ver, claramente, que o tempo não está mudando apenas eles.
Enquanto eles transformam-se em homens e mulheres, nós nos transformamos em velhos.Não há nada de antinatural nisso. É a lei da vida: nascer, crescer, amadurecer e morrer. E não é contra isso que clamo.
Só peço que não nos cobrem tanta paciência, que nos aliviem dessa culpa que carregamos, que parem de dizer que devemos ceder, tolerar e que deixem de supervalorizar as mudanças pelas quais eles passam . .
Afinal, nós sabemos que se sobrevive à adolescência , por mais complicada que ela seja. Já à velhice....

4 comentários:

  1. Oi amiga querida!
    Ué...já tinha postado um comentário e não saiu!
    Vai de novo então.
    Parabéns pela iniciativa!Adoro teus textos!
    Bjão

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  2. Parabéns amiga, o blog tá lindo, e os teus textos, desde sempre, arrasando. Sempre fui fã dos teus extos, e agora, outros poderão ser também!!!!
    Beijos!!!
    Martha

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  3. Muito bem escrito...o que todos queremos que eles saibam!!
    Parabéns!
    Bea

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  4. Adri, sempre amei este texto.
    Parabéns pela iniciativa de botar o bloco na rua.
    Teus fãs agradecem!

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