Criei este blog com o incentivo dos meus amigos...amigos corujas que sempre elogiaram meus textos e me deram coragem para que eu os tirasse das gavetas ou das pastas do computador....







sexta-feira, 8 de abril de 2011

O pra sempre sempre acaba...


Foto: Adri Eifler

Ontem nossos filhos envelheceram, e nós morremos, um pouco.
A morte trágica de uma amigo, cúmplice de suas infâncias, que tinha um futuro parecido com o deles, os envelhece. Faz com que amadureçam à força e os arranca repentinamente da Terra do Nunca, onde nunca sequer imaginaram que isto pudesse acontecer.
Velar e enterrar alguém que tem a mesma idade, e os mesmo projetos de vida que eles, os expõe a dura realidade da finitude, à inegável fragilidade da vida e a incômoda constatação da nossa impotência.
Eles perderam um pouco da sua juventude ao descobrir que o “pra sempre sempre acaba” como diz a letra da música que cantaram em coro, e aos prantos, para o amigo morto.
Quanto a nós, pais, que já colecionamos indesejáveis perdas pelo caminho, ontem morremos um pouco.
Morremos de dor ao nos imaginarmos no lugar destes pais que perderam seu filho sem explicações nem despedidas.
Morremos de pena ao ver o sofrimento e a incredulidade no rosto de nosso meninos.
Morremos de raiva de não podermos dar-lhes, além de educação e amor, segurança.
Morremos de medo.
Neste momento o que nos resta, além da perplexidade, é a ânsia de buscar uma explicação para a morte do Igor.
Penso que esta tragédia servirá como alerta aos pais, e aos próprios jovens, sobre o perigo que está por trás destas “festas” organizadas por pessoas irresponsáveis e descomprometidas.
Servirá, também, para que sejamos mais incisivos na hora do não e para que eles compreendam a nossa atitude e escutem nossos conselhos.
No entanto, o que mais me consola é pensar que o Igor tenha vindo cumprir uma missão e que Deus o tenha chamado, cedo demais, porque estava precisando dele para, quem sabe, escrever lindos textos e compor músicas que falam de amor.

Este texto foi escrito no dia 21 de Outubro de 2008, um dia após o enterro de Igor Santos Carneiro, baleado em uma “festa” onde milhares de jovens viveram momentos de terror.

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